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Papa recupera da cirurgia e deixa mensagem para o Dia Mundial da Alimentação
A nota sobre a efeméride, que se assinala esta sexta-feira, foi escrita no início da semana, um dia antes de Leão XIV ter sido internado. Na carta dirigida ao diretor-geral da FAO, o Papa alerta para a persistência da fome e defende que os alimentos não podem ser usados como armas de guerra.
A radiografia ao tórax realizada esta sexta-feira confirmou uma boa recuperação do pulmão operado, na sequência da intervenção cirúrgica para remoção de um adenocarcinoma pulmonar, a 13 de outubro.
Os exames de rotina apresentam resultados dentro da normalidade e, segundo a equipa médica coordenada por Luigi Carbone e Stefano Margaritora, especialista em cirurgia torácica, "a evolução pós-operatória segue normalmente".
A Santa Sé entretanto confirmou que Leão XIV já retomou as atividades diárias, celebrou missa no hospital Gemelli e recebeu elementos da Secretaria de Estado do Vaticano. A agenda oficial mantém-se suspensa até 20 de
outubro, enquanto a equipa médica acompanha a recuperação e avalia a
possibilidade de retomar os compromissos previstos para as próximas
semanas.
Na quinta-feira, o Papa já tinha realizado exames de rotina, concelebrado missa numa sala preparada no décimo andar do Hospital Gemelli e participado numa sessão de fisioterapia com exercícios motores completos.Jornal da Tarde | 16 de outubro de 2026
A Sala de Imprensa da Santa Sé confirmou que a recuperação decorre normalmente.
No entanto, na segunda-feira, um dia antes de ser internado, o Papa deixou escrita uma mensagem sobre o dia mundial da alimentação que se assinala hoje.
Na mensagem dirigida ao diretor-geral da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Qu Dongyu, o Papa considera que a persistência da fome, num mundo marcado pelo progresso tecnológico, representa uma "profunda crise antropológica e ética".
"É intolerável que, numa era caracterizada por um progresso tecnológico sem precedentes, o pão continue a ser um privilégio e a água um bem disputado", escreveu Leão XIV e está disponível no site oficial do Vaticano.
O Papa defende que o acesso regular a alimentos seguros, adequados e suficientes constitui um direito humano fundamental e uma obrigação de justiça para os Estados e a comunidade internacional.
Papa recusa ideia do pão como "arma de guerra"
Sob o lema "Inovar hoje para nutrir o amanhã", a mensagem questiona um modelo de inovação agrícola orientado exclusivamente para o lucro.
Sob o lema "Inovar hoje para nutrir o amanhã", a mensagem questiona um modelo de inovação agrícola orientado exclusivamente para o lucro.
O Sumo Pontífice alerta para os riscos de tecnologias que degradam os solos, afastam os agricultores das suas terras e favorecem monopólios em detrimento da agricultura familiar.
O Papa critica ainda a especulação nos mercados alimentares e a utilização dos bens essenciais como instrumentos de pressão nos conflitos internacionais.
"O pão não é um instrumento de pressão geopolítica
nem um ativo financeiro volátil. Jamais deve ser usado como arma de
guerra", afirma.
Leão XIV apela também à criação de uma nova ordem alimentar global e propõe que os recursos investidos na indústria militar sejam redirecionados para a investigação agrícola sustentável e a recuperação de solos degradados.
Defende também a proteção da água como bem comum e a conjugação da tecnologia com os conhecimentos tradicionais dos agricultores.
"Chegou a hora da ousadia moral", escreve, pedindo medidas concretas para combater a fome e proteger as populações mais vulneráveis.